[Fazendo aquilo que amo...]

Com ele nasceu um novo estilo de fotografar. Acreditou que não mudou nada daquilo que presenciou, mas tudo aquilo que presenciou o mudou, o fez ser melhor.
Cartier-Bresson tinha paixão pelo simples e passageiro, desejava descobrir a beleza que nascia do caos e a simplicidade dos gestos do cotidiano, registrando momentos que estavam à margem da cena que, para ele, eles sim é que deveriam se sobressair. Com uma Leica na mão, estava sempre ali, no momento certo e no lugar certo; era através da câmera que queria captar o silêncio de cada pessoa, no momento em que elas estavam consigo mesmas, e não apenas numa expressão forçada. Ele já tinha ideias do que queria a partir de um retrato. Dizia que através do visor da câmera, podia ver uma pessoa completamente nua, não fisicamente, mas livre de qualquer rótulo, qualquer preconceito. Seria por meio desse primeiro encontro que teríamos a primeira impressão e seria essa que permaneceria para sempre, mesmo que depois disso conhecêssemos a pessoa por inteiro.
Fazia fotos com uma composição sofisticada, humor sutil e irreverente, com influência surrealista e, por meio de várias ações em planos diferentes, a captação da imagem, formando uma unidade. Sempre preocupado com a geometria, o jogo de planos, de linhas e a perspectiva.
A fotografia só não bastava, mas sim a sua reportagem, a comunicação entre o mundo e o homem através da câmera; através dela, a vida era uma dança. Ele se fez imperceptível ao se aproximar dos cenários que desejava enquadrar, trazendo a naturalidade e a graça do cotidiano, que renascia do caos, abrindo espaço para sua arte. Fez da estética do corpo humano um novo conceito de liberdade no Fotojornalismo. A liberdade era tida como uma regra em seu trabalho: fez poesia, fez arte, artista de vanguarda que não conhecia limites e, mostrando o óbvio em suas fotografias fez de seu trabalho, a genialidade. Foi por meio dessa naturalidade e tendo foco na via humanista, que o fotógrafo conseguiu relatar e mostrar a fantasia da vida real.
Parecia que ele antecipava os fatos, que previa as cenas, mas era tudo fruto de uma percepção extremamente apurada, do treino de olhar para o imprevisível. Sua arte deve ser contemplada, apreciada e em nada combina com a Modernidade e seu tempo extremamente acelerado. Consiste aí a dificuldade de explicá-lo, pois quanto mais tenta se achar argumentos para descrevê-lo, mais genial ele fica. E, da mesma forma, não há nada de mais sublime, de uma simplicidade ímpar, que suas fotos.
Encantada pelo trabalho de Cartier-Bresson. Não só porque amo fotografia, mas pela técnica e genialidade dele!
“Tirar fotos é prender a respiração quando todas as faculdades convergem para a realidade fugaz.
É organizar rigorosamente as formas percebidas para expressar seu significado.
É pôr numa mesma linha da mira a cabeça, o olho e o coração”.
(Henri Cartier-Bresson / 1908 – 2004).
2 comentários:
O BRESSON É DEMAIS. sério.
eu tava vendo um livro dele hj na fnac. o cara é muito foda, sério. semana que vem vou la no sesc pinheiros!!!
parabens pelo texto mari! um texto apaixonado. mto bm
Admiro-o DEMAIS!!
Perco horas analisando uma foto dele.
Ótimo texto Mari
Parabeens futura jornalista.
Te adooooooro!
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