Eu não entendo ironias.
Eu não faço jogos.
Eu, às vezes, falo por metáforas.
E, outro dia, me vi no meio de uma delas. Em algumas horas de reunião, ela parecia a metáfora da vida. Uma sala silenciosa, onde cada emoção tinha a sua cadeira e aguardava seu momento de falar.
A ansiedade falou primeiro, e quase monopolizou toda a conversa. Veio a indignação, soltando todas as pequenas injustiças vividas até ali. Na sequência, falou o ressentimento, que já se explica por si só – o mais difícil da sala, diga-se de passagem. Mas, por último, falou a resignação, como uma escolha inteligente para poupar energia, focando no que está sob controle para se manter seguro até que tudo melhore.
Era um dashboard coletivo de sentimentos. Enquanto uns estavam em sua máxima energia, eu me vi ali, sentada em uma ponta da mesa, um canto mais silencioso, conformada. Não como quem desiste, mas como quem aceita. Talvez como quem entenda que nem sempre é possível mudar o rumo da conversa, mas é possível mudar a forma de escutá-la.
A gente nem sempre ganha todas. Enfim, a pausa estratégica. É o espaço que a gente aprende a confiar e a rever prioridades.