8 de novembro de 2017

sau.da.de - s.f.

"[...] Não é por que eu quis e eu não fiz. Não é por que não fui. E eu não vou. 
O problema é que eu te amo. Não tenho dúvidas que eu queria estar mais perto. Juntos viveríamos por mil anos, por que o nosso mundo estaria completo"
[Cássia Eller 💓]

Hoje, eu senti saudades de você. Não com esperança, mas com nostalgia.

Bateu saudades porque, no caminho de volta para casa, entre uma música e outra da playlist aleatória, tocou aquela que você dizia que fazia se lembrar de mim. E, depois daquele dia, o efeito foi inverso. Para mim. Que não posso mais ouvir sem lembrar. E, como eu disse, sem esperança.

Eu não queria muita coisa, não. Era pouco. Eu queria proximidade e concordância. E, bastaria o fato de dizer "vamos nos ver hoje", "estou passando por aí, desce".

Na verdade, eu sempre quis que estivéssemos na mesma página, ao mesmo tempo. E que não tivéssemos hora para voltar.

Mas, andamos sempre descompassados, faltando sincronia. Em capítulos diferentes. Com prazos sempre para vencer. Com pressa e com medo.

Depois, o assunto mudou. As prioridades foram outras. Hoje, você fez falta aqui. E eu senti saudades. Sem esperanças. Com nostalgia.

[Texto escrito em 2015]

10 de agosto de 2017

Ninguém viu

"[...] And you know, everything changes. But we'll be strangers if we see this through"

Sou uma cabeça que não desliga. Que briga constantemente consigo mesma. Sou, às vezes, o que eu não queria ser. E me irrita os conselhos de “vai viver”. Quero entender todas as possibilidades.

O que eu sei é que cada um carrega consigo um tempo. Tempo esse que nunca será parecido ou igual ao do outro. A gente é feito para dizer que sim. E, por muito tempo, eu fui amigável por ter medo de ser sincera.

Eu, sempre me baseando pela literatura, li uma vez, quando Guimarães Rosa escreveu, que felicidade a gente acha em horinhas de descuido. E não importava se ia durar um dia ou a vida inteira. Aquelas horinhas ali... Uma longa história.

Não tinha nada combinado. Nada previsto.
O tempo seguiu com suas coincidências.

Não foi nada arranjado. Muito menos combinado.
O tempo passou exigindo mais de nós.

Não tinha nada garantido. Nem definido.
Nós fomos impacientes.

Nada foi voluntário. Não teve compromisso.
Foi tudo experiência.

Ninguém viu.

15 de abril de 2017

Vida resolvida

"De todo lo que tu acostumbras soy contradición. Creo que eso es lo que a ti te llama!"
[Perota Chingo para arrumar as malas]


Conforto. Até a palavra já é agradável. Ouço essa palavra e já lembro de uma cama grande, um edredon bem fofinho, macio e cheiroso e uma tarde inteira para se jogar no final de semana. Mas aí te falam sobre a tal da “zona de conforto”. E todo aquele meu pensamento vai por água abaixo.

Faz um tempo que eu tenho me forçado a sair dessa minha “zona de conforto”. De primeira? Que medo. Depois? A adrenalina vai abaixando. Já ouvi falar que a crise dos 30 é pior do que a crise dos 40. Ainda não sei, e, por enquanto, vou lidando com as crises dos 27. E uma boa hora para perceber isso (e a grande crise) é arrumando as malas.

E fazendo as malas eu aprendi que se precisa forçar, é porque não é do tamanho certo. E essa afirmação serve, também, para anéis, sapatos, roupas e relacionamentos. Isso serve para tudo, na verdade. Até para o tempo.

Espero lembrar que a vida não é para ser uma corrida contra o tempo. Que a gente tem que ir andando, dando umas tropeçadas e tal, rebolando para deixar tudo nos eixos. Lembrar que nem tudo vai ser sempre agradável, estar sob controle e confortável.

E essa conversa nem é sobre deixar tudo para depois e adiamentos. Nem sobre grandes planos e projetos mirabolantes. Apenas sobre grandes sonhos e lapsos momentâneos (meus) de liberdade. Sobre poder pegar o celular, ligar e dizer que sente saudades. Sobre cortar o cabelo curto. Sobre pegar a bolsa e ir ao cinema sozinha. Sobre sair da “zona de conforto” e se dar mal. Sobre sair da “zona de conforto” e se dar bem. Sobre fazer aquilo que se gosta. Sobre engolir alguns sapos. Sobre tomar “shots” de floral para se acalmar. Sobre o frio na barriga. Sobre ter uma vida resolvida. E sobre não resolver absolutamente nada. Sobre fazer as malas. Sobre ir.

Dando umas reboladas, umas trombadas, mas ir por aí rindo, vivendo. Vivendo. Porque enquanto o futuro está lá, a zona de conforto está por aí e a vida está acontecendo aqui.

Coincidências significativas

"[...] Maybe I should leave To help you see Nothing is better than this And this is everything we need" [Adele, nesta versão aqui ...