[O risco que qualquer um tem que correr...]

Queria voltar a sentir aquele cheiro de infância, novamente.
Brincar com as rugas das vovós, me esconder atrás das pernas compridas da minha mãe (que era o lugar mais seguro do universo!) e de brincar com o meu pai.
Ter aqueles sonhos de querer ser tudo ao mesmo tempo - desenhista, escritora, cozinheira, professora, e até jogadora de vôlei eu tentei ser. Imaginar o futuro, mesmo ele estando tão, tão, tão longe!
Era um mundo de verdades, que era de mentirinha... E que eu me sentia extremamente confortável!
Mais velha, os sonhos de querer ser alguém foram se restringindo. Escolhi, por paixão, escrever. De longe, ninguém poderia imaginar!
Acontece que tudo é feito de instantes. Emoções são rápidas demais. Quem disse que eu liguei?! Fantasiar os desejos engraçados e entender os meus porquês!
De um lado o medo, do outro a certeza. Queria analisar tudo, porque eu achava que conseguiria mudar o que viria depois. Utopia!
O medo, agora, já passou. Resolvi, então, ficar com a certeza, um caderno com páginas em branco em minhas mãos e esperar para ver o que acontece.
Hoje eu invejo o aurélio, porque ele tem explicação pra tudo... Sabe palavras demais, pesquisou o mundo demais. Mas eu não. Eu preferi, repetir as mesmas palavras. Não posso passar para a próxima página, lendo uma outra nova letra com tantas outras possibilidades. Então, me decidi: Aurélio só para consultas! (loucura?!)
A loucura já é tão lúcida, devido ao turbilhão de pensamentos que passam pela minha cabeça. E a cada novo dia, um novo passo... Rumo ao que eu resolvi buscar dentro dos sonhos de criança, e as certeza do agora!
Descobrir que a felicidade é o agora...
...Viver o agora!
“As mentes são como paraquedas: só funcionam se estiverem abertas".
(Ruth Noller)


