“Nunca se pode saber o que se deve querer, pois só se tem uma vida e não se pode nem compará-la com as vidas anteriores, nem corrigi-la nas vidas posteriores”.
[De um dos meus livros preferidos. “A insustentável leveza do ser”, de Milan Kundera]
Já me disseram diversas vezes que terapia era a cura para a maioria dos problemas da alma. São vários dias e horas “gastos” em uma sala sentada em uma poltrona, falando, falando, falando, tentando chegar a conclusões junto com uma pessoa que, até então, era uma desconhecida para você, e para quem você poderia abrir todas as suas inseguranças, medos, defeitos, conquistas e fracassos, sem medo do julgamento.
Lá, entendi que não dava para ficar buscando, por enquanto, respostas que não podiam me ser dadas, porque (ainda) não as poderia viver. “Pois, trata-se precisamente de viver tudo. Viva por enquanto as perguntas. Talvez depois, aos poucos, sem que o perceba, num dia longínquo, consiga viver a resposta”.
Quanta coisa a gente complica sem necessidade, não é? Culpa, claro, de Mercúrio retrógrado – o que mais poderia ser? (ironia ativada, já aviso). Mas, depois de muito custo e muito tempo, descobri (e entendi) que, para algumas dores, para alguns medos ou dúvidas, o remédio, mesmo, era viajar.
E sem definir muito os roteiros e me arriscar em algumas aventuras, sem nem tantas pretensões culturais, só queria fugir para longe dos problemas que acreditava ter, focada na meta de conhecer um pouco do mundo. Foi o que fiz, sem nem sonhar que estaria trocando as sessões com a terapeuta por um remédio muito mais eficaz para os meus tipos de dores: viajar.
Você já parou para pensar? Dói não saber quem a gente é, o que queremos, por que fazemos o que fazemos. Dói transformar características que não gostamos em nós mesmos, ou até enfrentar aquilo que mais tememos: nós mesmos. Foi viajando que percebi que passamos horas, dias, anos à procura de respostas dentro de uma sala, sentada em uma poltrona, quando, na verdade, elas estão muito mais perto do que imaginamos: em uma mala arrumada e uma cadeira à espera do embarque.
Viajar sozinho tem esse poder: de sermos nossa própria companhia, às vezes insatisfeitos com aquilo que somos, e, mesmo assim, tendo que nos encarar, de fora para dentro, porque não há outro jeito. Nenhum curso ou sessão de terapia me ajudou a resolver tão rapidamente e objetivamente problemas como insegurança, indecisão e dependência como conviver apenas comigo na maior parte do tempo. Foi sem peso de julgamento e com chance de autoanálise.
A gente aprende a andar sozinho. A pedir ajuda. A andar sem presa. A arriscar. A se decepcionar. Mas, acima de qualquer coisa, a ser claramente feliz.
As respostas chegaram mais rápido.
[Texto escrito em 07//11/2018]
22 de novembro de 2018
2 de setembro de 2018
Encrenca, eu sei
“Vou recriar o mundo pra gente caber junto. Desalinhar o tempo e o espaço por nós dois. Eu te encontrei dentro de mim, não posso mais ser só. Não quero desatar o nosso nó(s)”
Eu falo por metáforas, mas você não entende. Eu faço brincadeiras, e você (ainda) acha que eu estou falando sério. Eu falo sério, e você briga.
Eu ainda me expresso melhor quando escrevo. Você ainda exagera nos personagens. Eu (ainda) dou risada sem parar. Eu ainda escrevo sobre isso.
Parece que voltei alguns anos. No mesmo lugar. Sentindo as mesmas coisas. Com as mesmas dúvidas. Não sei se faz parte do processo. Mas, uma coisa eu sei. É encrenca, eu sei.
Da intimidade nem tão íntima assim. Do papo solto. Das muitas novidades. Do “daqui para frente”. Eu não sei, e quase entendo. Dá quase para pegar. Eu me arrependo e volto atrás. Eu nunca questionei nada. Mas, o tempo passou.
Não houve acordo. Eu volto às metáforas, às risadas, a olhar para frente. Voltamos ao silêncio. No fim, fracassamos (de novo) no timing.
Eu falo por metáforas, mas você não entende. Eu faço brincadeiras, e você (ainda) acha que eu estou falando sério. Eu falo sério, e você briga.
Eu ainda me expresso melhor quando escrevo. Você ainda exagera nos personagens. Eu (ainda) dou risada sem parar. Eu ainda escrevo sobre isso.
Parece que voltei alguns anos. No mesmo lugar. Sentindo as mesmas coisas. Com as mesmas dúvidas. Não sei se faz parte do processo. Mas, uma coisa eu sei. É encrenca, eu sei.
Da intimidade nem tão íntima assim. Do papo solto. Das muitas novidades. Do “daqui para frente”. Eu não sei, e quase entendo. Dá quase para pegar. Eu me arrependo e volto atrás. Eu nunca questionei nada. Mas, o tempo passou.
Não houve acordo. Eu volto às metáforas, às risadas, a olhar para frente. Voltamos ao silêncio. No fim, fracassamos (de novo) no timing.
5 de julho de 2018
Remetente: eu
Outro dia, eu parei para pensar que há sempre uma expectativa que me impede de cair no sono quase toda noite. Pensamentos ocos, vazios. Ansiedades. Melhor definidas como “o enigma: essa nitidez do invisível”, muito bem descrito por Rui Nunes, em Ofícios de Vésperas.
Faz tempo que não escrevo. Isso também me faz perder o sono. Tem muito conteúdo separado em rascunhos, mas que já parecem ultrapassados, porque, antes, eu tinha inspiração. Bem mais por culpa minha, claro.
E, acabo contando para a terapeuta que minha fuga está nos livros. Era nesse mundo fantástico, nada meu, tudo do outro, que eu sempre preferi ficar quando o dia a dia não era tão agradável.
Mesmo nas histórias ruins, eu fui até o final. Mas, só por causa dessa minha mania de não conseguir abandonar nada no meio do caminho, pela metade. Questão de lealdade, acredito eu.
E por falar em literatura, posso escrever muitas frases que já não lhe cabem. E tudo bem. Não escrevo para fazer você se lembrar. Escrevo porque há quem diga que boas histórias fazem bons livros. E, se me permite ser ousada, essa história seria um best-seller. Escreveria crônicas e crônicas de uma história toda contada em preto e branco, há muito tempo. Preencheria cada linha. Mas, acabou a inspiração. Acabou o fôlego.
Pois bem. Há quem diga que quem escreve é corajoso. Tudo porque eu (ainda) gosto de sonhar em preto e branco.
21 de fevereiro de 2018
No final, é tudo sobre ansiedade
“[...] Even though I don't tell you all the time, you had my heart a long long time ago. In case you didn't know!” (Música aqui)
[Caso ainda não saiba...]
[Caso ainda não saiba...]
É este estado que me faz sentir sempre como um estudante em um domingo. Já é quase amanhã e eu não quero ir embora. “E se” aparece com frequência no vocabulário. É ter que, a todo momento, escolher ou o suspirável ou o irrespirável. É ter que, a todo momento, escolher.
E o resumo é “a vida é a parte complicada”. É isso, mesmo. Hoje, só seria precisava de um ibuprofeno e um cafuné. O comprimido para diminuir a dor e um cafuné para desacelerar o coração.
Não dá para respirar. Volto para o trabalho. Mais de 10 itens na lista das pendências e o foco está todo em uma playlist aleatória do YouTube, que uso como desculpa para justificar o tempo perdido com a falta de foco pelo coração acelerado. Não dá para respirar.
Eu vou criando um diálogo imaginário. Tentando entender como situações específicas carregam cargas emocionais tão pesadas. Volta aquela sensação de domingo. Fica difícil respirar.
E aí eu percebo que não é a situação, é a falta. Sempre vai faltar. Falta o ar. Falta escrever. Faltou terminar. Faltou falar. Falta a presença. Falta a coragem. Falta o indispensável. Falta não faltar.
E, você sabe, né? Lembrança é uma coisa que derruba. Aumenta a dose do advil. Assim é como eu conto. Ao doido, doideiras digo. A gente empurra as lembranças para trás, mas de repente elas voltam a nos rodear, por todos os lados. Quando a gente menos espera. A gente não sabe dar nome (ou até sabe). Mas não avisa ninguém. Se esconde e acena. De repente aparece. “Como em quieto as coisas chamam a gente” -, já dizia Guimarães Rosa. Mas não fica quieto. Fica grande. Sufoca. Acelera o coração. Não dá para respirar.
No final, é tudo sobre ansiedade. Sobre a falta que (você) faz. Cada dia é uma vida inteira.
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