"[...] Maybe I should leave
To help you see
Nothing is better than this
And this is everything we need"
[Adele, nesta versão aqui]
Em uma roda de conversa outro dia, estava com uns amigos falando sobre como, por medo e insegurança, a gente adia algumas decisões. A gente sabe o que a gente tem que fazer. A gente sabe o que nos faz mal. A gente sabe o que quer (ou não, mas sabe o que não quer). Mas o medo impede a gente de dar o próximo passo. E, no meio desse papo todo, regado a vinho, desabafos e reflexões, em uma segunda à noite, uma frase não saía da minha cabeça: a gente tem medo de ir embora.
Eu tenho medo de ir embora. Eu sempre tive medo de ir embora.
E isso significa tanto.
E isso significa tanto.
Isso sempre fez a gente ficar mais pouco. Tentar de novo, e de novo, e mais uma vez. Tentar negociar aquilo que é inegociável pra gente. Com o mais absoluto conhecimento de causa, eu digo que a gente só insiste onde ainda acha que precisa. E é isso que faz a gente permanecer tempo demais.
E, em um dia desses, lendo uma das tantas newsletters que assino, li uma crônica que falava sobre “sabermos onde é a saída”. Até me arrepiei pela sincronicidade, ou coincidências significativas, com o conteúdo daquela semana. O trecho dizia o seguinte:
“Existe uma assimetria estranha nas cerimônias que a vida nos oferece. Temos ritos para quase tudo que começa.Para o que termina, quase nenhum.Como se sair fosse sempre derrota, e não às vezes a única forma de integridade que resta.A gente aprende a entrar.A celebrar o começo.A ficar.Mas quase ninguém ensina a sair.Sair de um lugar que já não te cabe.”
Isso fala sobre entendermos o nosso tamanho e o quanto a gente insistir em permanecer onde a gente não cabe mais custa muito caro.
É sobre não ter medo de ir. É ter a lucidez e não medo. É ter maturidade e não a vontade de provar algo para alguém.
É sobre não ter medo de ir. É ter a lucidez e não medo. É ter maturidade e não a vontade de provar algo para alguém.
A crônica terminava com uma pergunta. “Se eu sair agora... eu sei para onde ir?”.
Eu sei?
Eu sei?
A gente vai entendendo. E isso muda totalmente a forma que a gente vai embora.