"[...]Sei, que a tua solidão me dói. E que é difícil ser feliz mais do que somos todos nós. Você supõe o céu.. Sei, que o vento que entortou a flor passou também por nosso lar e foi você quem desviou com golpes de pincel."
[Los Hermanos]
Se eu for me autocriticar friamente, sempre fui muito antiga. Nunca gostei muito de balada e música alta, pessoas (muitas pessoas) se esbarrando o tempo todo, outras bêbadas, outras muito bêbadas e outras nem tanto. Nunca gostei de beijar bocas diferentes, desconhecidas. Já fiz, já me diverti, já aprontei muito com minhas amigas. Era engraçado e sempre rendeu boas histórias entre nós. Mas não era isso que me completava. E não era isso que me deixava feliz...
Eu não acredito e nem concordo com aquelas pessoas que dizem que não precisam do amor para ser feliz. Eu sempre fui muito emocional por natureza... Sempre pensei muito mais com o coração, sabendo que muitas vezes isso não é certo. Mas não sei se existe certo e errado quando se trata de sentimentos.
Mas a verdade é que eu sempre fui meio maluca. E sempre achei que o problema fosse comigo, por conta das minhas “paixonites”. Tinha um gosto esquisito para escolher e um imã que só atraía homens problemáticos, inseguros, comprometidos ou confusos demais. E olha que de confusa já bastava eu. Mas aí descobri que o problema era comigo mesma. Era sim.
Minha mãe sempre me disse que eu adoro inventar problema onde não tem. Ou um motivo para chorar. Que eu sofro demais por tudo. Eu sempre a chamava de louca... Mas parei pra pensar e percebi que eu era a doida da história. O primeiro amor da minha vida foi algo quase impossível. O segundo foi meio decepcionante... O terceiro? Shiii... E, depois disso, percebi que não adianta insistir naquilo que não vai dar certo (“a gente cansa de bater na porta de quem não abre” – li e adorei!).
E por isso aprendi o básico... A regra é clara: a gente tem que se valorizar. Esse é o principal. A lista de namorados não precisa ser grande para saber o que quer e o que aceita. Tem coisa que não aceito mais. Porque, depois do meu ciso ter nascido, de não ser mais criança, de todas as cicatrizes, eu gosto de mim, acima de qualquer outra coisa. Me amo. Porque não tem como amar outro, se não amamos a nós mesmas. Não dá para ajudar outra pessoa, se nós não estivermos bem.
Nunca namorei sério e já descobri o motivo. Apesar de sentir tanto e sentir falta, tinha medo de me entregar. Tive vários amores, várias paixões. Não sou expert em homens. Não mesmo. Principalmente nas relações humanas. Mas sei que não precisa ser muito esperto para entender que se uma pessoa te quer de verdade ela mostra (eu demorei um pouco para concluir isso, mas consegui!). As desculpas que ele inventa, a quantidade de trabalho, a confusão na cabeça dele, a ex que ele não esquece... Não passam de... Desculpas!
As pessoas, quando desejam algo, quando almejam algo, movem o mundo para alcançar um objetivo. Se você quer mesmo uma pessoa, vai atrás. E eu acredito que se eu posso, ele também vai poder. O que conta é a vontade, o sentimento e o desejo.
A gente fica feliz quando se apaixona. E é tão boa a sensação... Essas paixões dão um tempero a mais na vida, quando ela está meio sem sal. A excitação faz bem. É nesse ponto que se encontra o problema... Nós não nos alimentamos só de paixão. Principalmente quando fica claro que a outra pessoa não está na mesma que você, quando ela não quer nada com você. Baixa autoestima, carência e ilusão são os ingredientes principais para nossa cegueira, paixões não correspondidas e sofrimentos momentâneos.
A solução para tudo isso é ter amor próprio. É se amar. Não adianta ter dinheiro, beleza, um corpão fenomenal, o trabalho dos sonhos, talento se o seu amor por você não for superior a tudo isso.
Eu sei de mim e sei que não sou pouco para aceitar restos. Se me doo por inteira, mereço alguém em sua completude, também.
Não vou dizer que nunca errei. Ainda erro... E feio! Já me alegrei com pouco, já me contentei com migalhas, já chorei por minutos de atenção, já me disseram que ainda era apaixonado pela ex e, mesmo assim, insisti, fui em frente. Achei que tivesse o poder nas mãos de mudar a cabeça de alguém, de fazê-lo esquecer o grande amor.
Foi nessa hora que percebi que eu precisava de menos vírgulas e mais pontos finais na minha vida. Adoramos colocar vírgulas e exclamações no meio do caminho... E as interrogações, então?! Mas não entendemos que o que precisamos é de um pouco mais de reticências, de continuidade. Porque você quer. E a outra pessoa também.
O outro tem que estar disposto. Querer ir adiante. Ceder, também.
Eu falo isso sempre. Mas eu sei que existem aqueles que falam uma coisa e agem de outra forma. Ele não te quer, mas te leva no cinema. Ele não te quer, mas te procura quando se sente sozinho. Ele não te quer, mas não te larga!
E isso cansa quando você percebe que é exaustivo e desumano acreditar numa relação assim.
Porque eu quero do meu lado alguém que diga e faça. Cumpra as promessas. Só precisa ser sincero e se entregar por inteiro... Corpo, alma e coração.
Não gosto da metade... O meio termo me incomoda. Palavras, só, não bastam.