11 de junho de 2014

Crônica de pedido para você ficar

“A aspiração à plenitude e à realização interior se encontra no espírito de todo ser humano. Se temos dificuldade para nomeá-la, é porque ela assume as formas mais extraordinariamente diversas. Sabemos bem que não podemos viver permanentemente nesse estado de realização e de plenitude do ser, que se trata mais de um horizonte do que de um território; sem ele, todavia, a vida não tem o mesmo valor.” Trecho de Tzvetan Todorov, em “A Beleza Salvará o Mundo”
[Ao invés da música, um trecho de um livro lindo.]

Não sei se é proibido, em horário útil de trabalho, mas o dia foi todo pensando em você.

A última conversa foi definitiva, mas eu pedi para você ficar. Para você ficar não para julgamentos, por pena ou por acomodação. Ficar por carinho, por respeito e pelos elogios sinceros.

Fica pelo abraço apertado, pelo papo bom, pelas opiniões que nem sempre combinam e pelas risadas de toda hora. Não diz que vai ficar se ainda há dúvidas. Mas, se ficar, diz que foi por mim.

A conversa, definitiva, revelou o que me faltava até então – aquele sentimento forte que só nos basta quando estiver em tudo aquilo que vamos fazer. Paixão. Era isso.

Eu queria que você ficasse. Eu queria que você dissesse tudo aquilo que eu sempre quis ouvir de você. Você não disse. Ficou tudo subentendido. Bem mais que entendido. Mas, mesmo assim, você ficou. A conversa foi definitiva. Bom dia, boa tarde, boa noite.

As coisas estão acontecendo, o que nós queremos e o que não queremos, também. Não depende mais de mim ou de você. Vamos aproveitar, antes que a gente se esqueça.

Que não tenha ficado pelo motivo errado. Mas fica!

5 de junho de 2014

Carta para Mariana

“[...]Quando tudo ainda estava inteiro, no instante em que desmoronou. Palavras duras em voz de veludo. E tudo muda, adeus velho mundo! Há um segundo, tudo estava em paz...”
[Paralamas para quando tudo parece que vai mal...]

A relação está sempre por um fio. Um “oi” mais seco acaba com a conversa de anos. No dia que a paciência falta, sobra cara feia, mágoa e nó na garganta.

A relação não é recíproca, sempre. É quando sobra muito ego e falta parceria.

Eu não sei onde é que nós erramos, em que ponto essas relações ficaram mais por aparência, por comodidade e mais frágeis do que antes. Mas sei que esse é o limite.

Muito “eu”, “eu”, “eu”, para poucos “obrigadas”. Muita aparência para pouca amizade.
E acabamos aprendendo na prática aquilo que chamam por aí de “parceria”. Quem está com a gente em qualquer situação. Aqueles de pouco tempo, aqueles de muitos anos ou aqueles de bar e de boas risadas.

E quando eu brinco que gente grande tem dessas, penso que não tem como ser diferente. Eu sempre achei que não me surpreenderia com quem eu escolho para fazer parte da minha vida. Que, sim, que me surpreendessem de forma positiva. É sempre isso que esperamos... Mas o saldo tem sido negativo, ultimamente. Grandes surpresas, mas desagradáveis.

Eu, que falo pouco, escrevo para tirar isso daqui de dentro, que não tem outra forma de extravasar, a não ser pelas palavras. E de tudo que pessoas têm me dito ultimamente, a que mais faz sentido é a de que não devemos fazer nada só para agradar as outras pessoas. Vivo pensando no que os outros vão pensar... E, no fundo, nada disso importa.

E assim vêm as maiores decepções por causa das maiores expectativas. Criadas por nós mesmos. Para pessoas que não fariam por nós aquilo que faríamos por elas. A vida é muito curta para que eu espere que correspondam às minhas expectativas.

No fim, fracassamos no timing.

24 de agosto de 2013

A dor foi embora naquele dia.

"And when the broken hearted people living in the world agree there will be an answer: Let it be!"
[Beatles para acompanhar o chá da noite...]

Era dor de estômago. A primeira que tive foi com 17. Minha mãe sempre disse que via muito do meu pai em mim. Não sabe falar de sentimentos, ansiedade pura e simpatia que se esconde.

Tentei Mylanta e Sonrisal. Um que não fazia efeito. Outro que aliviava a dor, mas logo ela voltava. Não adiantava só esconder a dor... O médico sempre disse que eu precisava descobrir o motivo. Mas ele sabia. Ah, ele sabia. Dizia que era culpa dessa minha cabeça que não parava um segundo, que estava aqui, querendo estar ali. Que dizia “x”, querendo falar “y”. Que dizia muito sim – não que fosse errado -, mas era preciso aprender a dizer mais "nãos". O remédio? Nunca ninguém me receitou... Ele não me passaria calmantes com aquela idade. Dizia “vá fazer yoga, meditação, oração... Vá fazer o que te dá prazer. Vai te ajudar. Mas seu remédio é você mesma.”.

Para as crises? Chá de hortelã. Tomava como água, porque bebia com expectativa de que aquilo curasse não só a dor do estômago, mas tudo o que a acompanhava. Parecia que ele costurava tudo lá por dentro, remediando a dor, a gastrite, nervosa, claro, que teimava em ser companheira nas horas mais inoportunas.

O motivo? Inconformismo, talvez. Genética, dizia minha mãe. Deve ser a pressa, acho eu. Pressa de e para tudo. Para que as coisas aconteçam. Para que alguma coisa mude. Ou para que tudo fique igual, não sei. Mas que, pelo menos, as coisas aconteçam. É o pulso acelerado, o coração quase na boca, a respiração ofegante e o olhar inquieto. É sempre assim. O chá é cura. É cura e conforta. Não é baseado em muitas teorias para que cure algo como a dor da minha gastrite.


Os motivos continuaram lá, os mesmos. Não perdi o sono. A dor foi embora naquele dia. Pelo menos naquele dia. Foi curativo.

4 de junho de 2013

Avisa, por favor.

"Dream the dreams of others then you will be no one's rival. You will be no one's rival... A distant time, a distant space, that's where we're living. A distant time, a distant place... So what ya giving? What ya giving?"
[Pearl Jam para os dias frios...]


Alguém avisa que hoje o dia amanheceu mais triste. Frio. As pessoas precisam de mais cuidado nessa época de tempo seco, céu nublado e caras fechadas.

Avisa, por favor, que meu coração parou por alguns segundos hoje. Por uns três, mais ou menos. Avisa que eu já não aguento mais tomar aquele tanto de café. Que minha ansiedade não passa, corro dentro de mim mesma e as mãos ficam tremendo.

Alguém avisa que eu deixei de gostar. Simplesmente. Só por não gostar mais.

Alguém avisa que o tempo passa. Que descobrir nossos limites nos faz mais humanos e nos faz viver melhor.

Avisa, por favor, que é preciso declarar-se. Abrir o coração. Alguém avisa que o tempo é curto.

Avisa que isso tudo passa, que amanhã é outro dia, não é?

Alguém avisa.
Por favor!

9 de março de 2013

Mas quem é que sabe?


"[...] A distant time, a distant space that's where we're living... A distant time, a distant place. So what ya giving? What ya giving? Nothing left, nothing left!"
[Pela paz interior que anda faltando...]

Tomei chuva. Muita chuva. Era muita água, que eu nem sabia onde cabia tanta água. Mas, na verdade, não cabia... Tanto que a cidade virou um caos. Era água, muita água, para todo lado. Chuva daquela de não deixar nada seco... Nem cabelo, nem sapato, nem os pés, nem a roupa, nem a bolsa, nem a alma. Foi o tempo de aguardar o sinal verde para atravessar a avenida e tomei uma chuva como não fazia faz tempo.

Foi aquela chuva que chegou arrancando tudo... Escorreu para a testa, que molhou os olhos e chegou até a boca, pedindo para ser sentida. Já ouvi dizer que essa chuva toda que é tomada lá fora, com tanta coisa acontecendo com a gente, onde tanta coisa está acontecendo, não vai fazer mal, é cura. 

Foi o tempo que precisava para pensar, colocar as ideias no lugar. Fazer o coração desacelerar. O ritmo diminuir. Sentir a chuva cair. E o que não é isso, senão momentos de pura entrega, de liberdade, que só nos mostra que nada é pra já? 

Coisas da vida. Mas quem é que sabe? E se soubesse, desde o começo, não sairia mais dali. Dia daqueles que nos faz pensar.

Covarde que fui, entrei no carro, tirei os sapatos, prendi os cabelos encharcados, liguei o rádio e fiquei parada no caos que a cidade se tornou por conta de tanta água que caía naquele dia. 

6 de novembro de 2012

Eu gosto das possibilidades!


"[...]Você que inventou a tristeza, ora, tenha a fineza de "desinventar". Você vai pagar, e é dobrado cada lágrima rolada nesse meu penar. Apesar de você, amanhã há de ser outro dia!" 
[Chico Buarque para uma noite cheia de lembranças e de vontade de contar histórias...]


Eu gosto das nossas possibilidades. Eu gosto das possibilidades do seu rosto. Eu gosto das possibilidades do seu olhar. Eu gosto das possibilidades e do mundo que sua sobrancelha traz. Dá pra entender tudo por ali... E aí você me olha, direto, reto, olhos verdes...

Eu gosto muito das nossas possibilidades. Mas aí você é um turbilhão de pensamentos que incomodam como dores de cabeça que latejam bem forte, querendo controlar minha sinceridade sempre tão... sincera! Seu desassossego chega sempre em frases muito curtas, mas que é um encanto. E logo depois você se acalma. Lavou o cabelo e dá pra ver por entre os fios o olhar discreto, mas ainda um pouco inseguro. Me olha... Não para de me olhar!

Eu gosto de olhar para você. Olhar para suas mãos. Olhar para o seu rosto. Olhar você. Eu gosto da linha infinita que se forma de uma ponta do seu ombro até a outra ponta. Mas logo você virou as costas e foi embora. Sem despedida. Um até mais. Mas um até mais que ia demorar.

Eu gosto quando você volta... E lá das alturas me abraça e me faz sentir protegida, e se faz parecer pequeno. Eu pergunto por que voltou, se diz que sente saudades, mas não fica? Por que voltou, se diz que gosta, mas prefere ir embora? Eu pergunto o que é isso que deixa seu rosto tão interessante e você ri. Você sempre ri quando fico séria, quando me aproximo demais. E logo diz alguma coisa que é um segredo nosso, e nem era a hora de dizer.

Eu gosto da possibilidade de não saber o que vai acontecer a cada encontro, a cada conversa, a cada despedida... O seu mistério não me dá mais aquele medo errado. É o friozinho na barriga que me deixa ligada!

Eu gosto que todas as suas roupas sejam verdes, mesmo não sendo. Eu gosto da palma da sua mão cheia de risquinhos. Eu gosto quando você perde a paciência, mas não tira os olhos dos meus olhos. Eu gosto quando, mesmo que nada esteja acontecendo, seus olhos continuem iguais, serenos. Eu gosto quando você sorri sem motivo, sorri para qualquer pessoa, em qualquer lugar.

Você já foi, já voltou, foi de novo, voltou, foi... Foram tantas vezes, e eu já gostei de você inúmeras delas. Eu gosto que você seja um começo. Eu não gosto que você vá embora. Eu gosto quando você chega...Mas fica!

18 de agosto de 2012

To find a way to say that life has just begun!


"[...]I can't be her angel now. You know it's not my place to hold her down and it's hard for me to take a stand when I would take her anyway I can!"
[John Mayer para os dias de aperto no peito...]

Noite atípica. Está chovendo tanto e estou com essa angústia, com vontade de chorar só para fazer companhia para a água toda que está caindo. Para me entregar junto com ela, levar as lágrimas de uma vez, e entregar essa solidão que chegou de repente (não, mas eu finjo) hoje, com esse monte de água.
Toda essa chuva me traz lembranças, essas que sufocam, chegam a doer, e que, às vezes, transbordam.
Fui ouvir música. Eu precisava disso. E veio tudo a tona de novo. Era nossa música (aquela, lembra?). Não ouvia muito e nem ouvia sempre. Mas o suficiente para aliviar o sufoco que apertava aqui dentro, na noite solitária de chuva intensa.
A música é bonita. Até hoje eu acho. Isso ajudou a liberar um pouco da angústia que já não cabia mais aqui dentro e a liberar espaço que faltava. Chorei. Chorei pra valer. De verdade. Foi a primeira vez chorei ouvindo nossa música. Foi natural. Instantâneo. Instinto, assim como é nosso instinto amar.
E falando em amor, fiquei pensando em você. Na gente. Em como, muitas vezes, queria você por perto com toda essa racionalidade de agora. Porque o que me sobrava de emoção, faltava a você. Mas era tão fácil gostar de você. Do sorriso, do papo, dos silêncios que diziam muito, de um convite. E gostar de você foi uma das coisas mais sinceras que eu fiz.
Gostar de você apesar do seu desejo de ser livre e não se prender a nada nem a ninguém. Assim como eu. Mas eu não gosto de você por isso, mesmo que sejamos iguais nesse sentido. Você. Você foi uma das coisas que me faltou hoje.
Talvez a chuva leve esse aperto embora e a angústia também.
Coloquei a música no repeat. As lágrimas cessaram.
Ficamos os fones de ouvido, a janela, o cobertor e eu. E lá fora ainda chove.

29 de junho de 2012

Brutal Hearts

‎"Are you the brutal heart? Are you the brutal heart that I've been looking for? 'Cause if you're looking for love, you can look for that door. Hearts... Hearts that break the night in two and arms that can't hold you that true!"
[Uma surpresa boa conhecer a banda Bedouin Soundclash... E trilha sonora de um filme lindo: "O Casamento do meu Ex", e o trailler pode ser visto aqui].

A casa está limpa, a roupa toda lavada, e o cenário é bonito: tudo no lugar, limpo, sem toalhas e sapatos jogados por aí.

Começar um novo relacionamento é como tirar tudo isso do lugar, de novo, espalhar os sapatos pela casa e a roupa sobre a cama. No início, o medo muito grande de bagunçar aquilo tudo que estava no lugar. Dó, pé atrás, até preguiça... Pois foi tão difícil arrumar tudo. Mas uma hora tem que acontecer, né? Começa tudo de novo, igualzinho da outra vez.

Primeiro, um casaco em cima da poltrona do quarto. Aí, um sapato deixado ao lado do sofá, sem querer. Usa-se outra blusa, uma outra calça jeans e um sapato para combinar. Logo em seguida, um secador de cabelos, escova, toalha molhada e quando você consegue ver, são roupas amontoadas, revistas, livros, brincos e casacos de frio.

Aquela casa ali, limpa, está cheia de coisas outra vez. Cheia de histórias. Cheia de sensações. Das roupas que representaram um dia, dos sapatos que machucaram os pés, da calça que estava apertada, mas que, praticamente por um milagre, serviu, naquele dia em que mais precisava levantar a autoestima. Um monte. De medo, de expectativa, de tanta coisa, de tanto sentimento que, caso dê errado, vai ter que ser posto no lugar novamente. Devagar. Nas gavetas certas. Até que aromas conhecidos possam ir embora. Até que marcas sejam apagadas, a saudade saia e a falta que sinta de algo passe.

As roupas. Resistentes assim como nós. Firmes até quando rasgarem. Usa-se. Lava-se. Guarda-se. Em meio a isso, ama-se. Somam-se histórias em todos os cômodos, trilhas sonoras, perfumes, abraços, beijos, nós...

E as roupas. Que lá estão bagunçando a cama, o quarto, só para nos lembrar que um dia já foram uma versão melhor de nós mesmos.

E você e eu. Que já nos deparamos com outros “eu e você” e, mesmo assim, persistimos, até acumularmos mais roupas, sapatos e toalhas que aparecem no meio desse processo.Ao final, estaremos arrumando tudo, abrindo portas dos armários, procurando espaços vazios para guardar a bagunça. Estendendo as toalhas, secando lágrimas  e guardando malas que um dia já carregaram bagagem, histórias e sentimentos. Passando as mãos nas beiradas dos armários para tirar o pó e o excesso de lembranças. De você.

Em outro dia, a primeira blusa do dia. Uma nova história esperando para começar. A repetição que a gente já conhece. Exatamente igual. E por que bagunçar roupas, sapatos e toalhas que já foram arrumadas e postas no lugar? Pra que amar quando já se foi amado? Esgotado. Cansado.


Porque já fomos felizes. O que nos leva a repetir. Sentir, de novo, aquilo que já vivemos. Relembrar. Como é mesmo a sensação de usar roupas novas, limpas? De andar pelo mesmo caminho em que se vai com cuidado, com atenção, até o lugar seguro, de satisfação, que nos faz esquecer a bagunça acumulada. Eu quero a bagunça.

E é exatamente assim. Cansativo. Mas nos mostra que sempre podemos arrumar tudo o que ficou desorganizado e começar de novo.

11 de maio de 2012

I wanna take you for granted

"[...]Sei, que a tua solidão me dói. E que é difícil ser feliz mais do que somos todos nós. Você supõe o céu.. Sei, que o vento que entortou a flor passou também por nosso lar e foi você quem desviou com golpes de pincel."
[Los Hermanos]

Se eu for me autocriticar friamente, sempre fui muito antiga. Nunca gostei muito de balada e música alta, pessoas (muitas pessoas) se esbarrando o tempo todo, outras bêbadas, outras muito bêbadas e outras nem tanto. Nunca gostei de beijar bocas diferentes, desconhecidas. Já fiz, já me diverti, já aprontei muito com minhas amigas. Era engraçado e sempre rendeu boas histórias entre nós. Mas não era isso que me completava. E não era isso que me deixava feliz...

Eu não acredito e nem concordo com aquelas pessoas que dizem que não precisam do amor para ser feliz. Eu sempre fui muito emocional por natureza... Sempre pensei muito mais com o coração, sabendo que muitas vezes isso não é certo. Mas não sei se existe certo e errado quando se trata de sentimentos.

Mas a verdade é que eu sempre fui meio maluca. E sempre achei que o problema fosse comigo, por conta das minhas “paixonites”. Tinha um gosto esquisito para escolher e um imã que só atraía homens problemáticos, inseguros, comprometidos ou confusos demais. E olha que de confusa já bastava eu. Mas aí descobri que o problema era comigo mesma. Era sim.

Minha mãe sempre me disse que eu adoro inventar problema onde não tem. Ou um motivo para chorar. Que eu sofro demais por tudo. Eu sempre a chamava de louca... Mas parei pra pensar e percebi que eu era a doida da história. O primeiro amor da minha vida foi algo quase impossível. O segundo foi meio decepcionante... O terceiro? Shiii... E, depois disso, percebi que não adianta insistir naquilo que não vai dar certo (“a gente cansa de bater na porta de quem não abre” – li e adorei!).

E por isso aprendi o básico... A regra é clara: a gente tem que se valorizar. Esse é o principal. A lista de namorados não precisa ser grande para saber o que quer e o que aceita. Tem coisa que não aceito mais. Porque, depois do meu ciso ter nascido, de não ser mais criança, de todas as cicatrizes, eu gosto de mim, acima de qualquer outra coisa. Me amo. Porque não tem como amar outro, se não amamos a nós mesmas. Não dá para ajudar outra pessoa, se nós não estivermos bem.

Nunca namorei sério e já descobri o motivo. Apesar de sentir tanto e sentir falta, tinha medo de me entregar. Tive vários amores, várias paixões. Não sou expert em homens. Não mesmo. Principalmente nas relações humanas. Mas sei que não precisa ser muito esperto para entender que se uma pessoa te quer de verdade ela mostra (eu demorei um pouco para concluir isso, mas consegui!). As desculpas que ele inventa, a quantidade de trabalho, a confusão na cabeça dele, a ex que ele não esquece... Não passam de... Desculpas!
As pessoas, quando desejam algo, quando almejam algo, movem o mundo para alcançar um objetivo. Se você quer mesmo uma pessoa, vai atrás. E eu acredito que se eu posso, ele também vai poder. O que conta é a vontade, o sentimento e o desejo.

A gente fica feliz quando se apaixona. E é tão boa a sensação... Essas paixões dão um tempero a mais na vida, quando ela está meio sem sal. A excitação faz bem. É nesse ponto que se encontra o problema... Nós não nos alimentamos só de paixão. Principalmente quando fica claro que a outra pessoa não está na mesma que você, quando ela não quer nada com você. Baixa autoestima, carência e ilusão são os ingredientes principais para nossa cegueira, paixões não correspondidas e sofrimentos momentâneos.

A solução para tudo isso é ter amor próprio. É se amar. Não adianta ter dinheiro, beleza, um corpão fenomenal, o trabalho dos sonhos, talento se o seu amor por você não for superior a tudo isso.

Eu sei de mim e sei que não sou pouco para aceitar restos. Se me doo por inteira, mereço alguém em sua completude, também.

Não vou dizer que nunca errei. Ainda erro... E feio! Já me alegrei com pouco, já me contentei com migalhas, já chorei por minutos de atenção, já me disseram que ainda era apaixonado pela ex e, mesmo assim, insisti, fui em frente. Achei que tivesse o poder nas mãos de mudar a cabeça de alguém, de fazê-lo esquecer o grande amor.

Foi nessa hora que percebi que eu precisava de menos vírgulas e mais pontos finais na minha vida. Adoramos colocar vírgulas e exclamações no meio do caminho... E as interrogações, então?! Mas não entendemos que o que precisamos é de um pouco mais de reticências, de continuidade. Porque você quer. E a outra pessoa também.

O outro tem que estar disposto. Querer ir adiante. Ceder, também.

Eu falo isso sempre. Mas eu sei que existem aqueles que falam uma coisa e agem de outra forma. Ele não te quer, mas te leva no cinema. Ele não te quer, mas te procura quando se sente sozinho. Ele não te quer, mas não te larga!

E isso cansa quando você percebe que é exaustivo e desumano acreditar numa relação assim.

Porque eu quero do meu lado alguém que diga e faça. Cumpra as promessas. Só precisa ser sincero e se entregar por inteiro... Corpo, alma e coração.

Não gosto da metade... O meio termo me incomoda. Palavras, só, não bastam.

7 de maio de 2012

Save the last dance for me!

"[...]Vi todo o meu orgulho em sua mão... Deslizar, se espatifar no chão[...]Eu, toda vez que vi você voltar Eu pensei que fosse pra ficar, e mais uma vez falei que sim!"
[Não volte nunca mais... Pra mim!]

O dia foi todo de imaginação... De saudades. O pensamento foi longe e foi difícil parar. 

Sabe quando a gente dançou a última vez? Que você apoiou sua mão na minha cintura, quando estava tocando aquela música, que se transformou na nossa trilha sonora? Um dos nossos segredos, aquele que eu posso falar agora já que você resolveu se manter a distância. Você diz que foi por precaução... Eu digo que foi por covardia. Mas aceito a condição. 

Eu sei que dançávamos sorrindo... Ali não importava aquilo que me fazia falta, as nossas diferenças, a minha falta de tempo, os meus prazos que eram sempre curtos e nem aquilo que exigíamos um do outro o tempo todo: presença. 

O ambiente era simples. Mas no céu havia estrelas. A lua grande. O céu pedindo para ser contemplado... Para ver quem brilhava mais se eram as estrelas, se eram nossos olhos. Continuamos dançando. Tirei as sapatilhas, era mais fácil dançar... Você não tirava os olhos dos meus olhos. Eu não tirava meus olhos dos seus. Continuamos dançando... 

Ao redor, amigos. Mas ninguém nos olhava – queriam apenas aproveitar a noite como nós e nos desejarem o melhor, sempre. O mesmo que a gente sempre quis. Acabou a música. Você tirou as mãos da minha cintura. 

Você me olhava, eu me virava. Fazia tempo que a gente se procurava, não é? Era bom sentir aquela sensação... Desejo, carinho, proteção, de estar no lugar desejado com quem a gente queria. Me restou apenas a vontade de não estar com mais ninguém. Só com você. Mas olha o paradoxo: É fácil mostrar o rosto, difícil é mostrar o coração. 

Perdi meus brincos lá. O seu relógio ficou também. O seu sorriso é tão bonito e ficou nas lembranças de hoje, o dia todo. Queria ficar por ali mais um pouco, em que a sensação de liberdade ficou clara. Eu não queria tirar as mãos do seu pescoço, não queria que suas mãos saíssem da minha cintura. 

Eu beijei seu rosto, você beijou minha testa. Algumas vezes durante a nossa música, você disse algumas coisas no meu ouvido, palavras que intensificaram a alegria – e isso eu lembrei com tanto carinho o dia todo hoje – mexendo os pés, querendo ainda eu estar dançando com você. 

Você.
Que sabe levar a dança de acordo com a melodia. 
Que eu não acompanhei o compasso.

28 de março de 2012

Sweet dreams!

"Tied up in ancient history.. I didn't believe in destiny. I look up you're standing next to me... What a feeling!"
[De repente é amor...]

Aprendi que a vida da gente é uma mistura de sonho, realidade, passado, presente e futuro. Acho que quando decidimos realizar um sonho, temos que ter muita coragem. Resolvi isso há três anos e meio. Para realizarmos um sonho temos que abrir mão de muita coisa. Isso aconteceu durante muitos anos da minha vida...

Primeiro com o vôlei, da federação, que me ocupava todas as tardes e as noites da semana com treinamentos, e os finais de semana, com jogos. Mas que era um sonho e eu larguei muita coisa para poder me dedicar a essa paixão.

Depois veio o sonho da faculdade. Meu pai queria USP (na verdade, ele queria que eu fosse feliz). Um ano de cursinho foi uma tortura, pelo menos pra mim. Tive que abdicar, novamente, dos finais de semana, e dos dias, tarde e noites da semana para poder estudar.

Veio, então, a faculdade. Sonho meio realizado. Passei para o curso que sempre quis... Jornalismo. Meio realizado porque está às vésperas de acabar. Alguns meses de esforço e dedicação me separam do diploma (aquele que não é mais obrigatório, sabe?). Novamente, pelo sonho de uma formação em Jornalismo, tive que largar outras coisas que tinha em mente, para poder me dedicar a isso... Larguei alguns finais de semana, deixei de rever amigos, às vezes. Tive que largar o vôlei que é uma paixão até hoje. Abdiquei de tardes em casa por optar por trabalhar para poder ganhar certa independência (estava na hora de sair de debaixo das asas dos meus pais) e ganhar mais experiência na área (foi uma escolha certa!).

Acredito que ainda vou ter que abrir mão de muita coisa na minha vida quando quiser realizar outro sonho... Estou prestes a realizar o de ser jornalista. Mas acredito que temos que abrir mão de uma coisa para dar espaço para a chegada de outra. Pois já ouvi que não é possível se ter tudo. Mas não sei, exatamente, se concordo com isso... Porque não sei o que é esse “tudo”.

Pode ter amor, cabelos lindos, dinheiro e um carrão, mas isso não importa se não tiver paz de espírito e a cabeça tranquila quando deitá-la no travesseiro à noite. Dinheiro, amor, emprego, cabelos lindos não salvam ninguém...

Acredito que essa nossa salvação seja a paz, alegria e sinceridade nos sentimentos. Porque não adianta tanto esforço se tua bondade não é verdadeira. Desculpa, mas não resolve. Sentimento vem do coração. Se é da boca pra fora, não ajuda.

Nós vivemos perseguindo sonhos, numa luta constante e diária. Os bons pensamentos se esvaem facilmente. O nosso orgulho queima. O ego infla e machuca, as tentações nos acertam. Acreditamos cada vez menos nas pessoas e no mundo. Porque as pessoas são ruins. Igual a mim, Igual a você. “O inferno são os outros!”. Acabamos perdendo a serenidade, a pureza e até a fé.

Quero tudo. Quero aquilo. E quando conquistamos um sonho, mudamos o foco. Sempre queremos mais. Mas queremos tudo no nosso tempo. Queremos sempre. E o que damos em troca? A gente precisa se doar. Arrumar um tempo e fazer mais. Fazer mais o que? Não sei.

Cada um com seu passado, suas dívidas e cada um tem suas próprias lutas. De repente, o seu problema seja com seu pai. Faça muito mais do que vem fazendo. Seja tolerante, menos amarga, mais paciente. De repente, é falta de amor. Às vezes, você só vive para os outros. Às vezes, o amor próprio é demais. De repente, a humildade é exagerada e você é boazinha demais. Não sei qual a sua luta diária, não sei para o que você precisa se doar. Mas arrumar tempo, e fazer mais sempre é bom. Fazer mais por você, primeiro por você. E depois pelos outros...

Coincidências significativas

"[...] Maybe I should leave To help you see Nothing is better than this And this is everything we need" [Adele, nesta versão aqui ...