7 de outubro de 2010

Tease me!

"(...)I believe in you, but I don't really give a damn!"
[Não dou a mínima...]


E ele permaneceu parado ali, como quem não quer nada, como quem nada pensa, muito sereno, meio de lado, peito aberto pra lua e sonhos encaminhados pra outra pessoa bem mais leve do que ela conseguia ser. Poucas preocupações. Ou quase nenhuma!

Do outro lado estava ela. Rosto virado, tensa, olhos marejados por não saber mais se tudo aquilo que ela tem mania de chamar pelo possessivo de dois, realmente ainda lhe pertencia. Estava pensando se era assim mesmo...
Sem desentendimentos, sem escândalos, sem nenhuma outra pessoa e sem problemas fáceis de estipular um motivo, um limite ou um porquê.

Mas o detalhe que ele esqueceu é que quem a mandou embora foi ele. E agora, andando sozinha o vento batia em seus cabelos e sua alma estava tranquila e em paz. Ela, sem medo do frio ou da falta de abraço, percebeu que quando se está sozinha, se algum abraço vier vai ser surpresa boa. Ela gostou da sensação de não ir dormir ao lado de certezas ruins todas as noites.
Ela deixou tudo aquilo que um dia foi dela mas que ela percebeu não precisar mais; percebeu que era nada mais que mero apego.

O que ele não percebeu (ou não quis entender, porque foi avisado), no final, é que pra ser NÓS há de se SER UM, dois em um, e o orgulho e o egoísmo dele fizeram com que ela percebesse que valia mais a pena ser feliz sendo SÓ. A prisão que ele vive hoje foi responsável pela liberdade em que ela se encontra agora.

Ele ficou no passado (com todo o esquecimento que o tempo é capaz de proporcionar à coisas que foram, mas deixaram de ser). Passado, pra ela, virou só fantasmas...
O que quase ninguém entende é que doer não significa necessariamente não ser feliz hoje...

E, depois de tanto tempo se sentindo culpada por coisas que ela não havia feito, culpa era a última coisa que ela sentia. Ele está preso, mas ela está viva.

Um comentário:

Michelle Borges disse...

Mari...

Tem tanta coisa nesse texto que eu gostaria de copiar e colar aqui entre aspas!
Me identifiquei demais com tudo o que você colocou aí...

"Ele está preso, mas ela está viva".

Adorei o texto, amiga!

E é isso, vamos seguindo em frente com as nossas vidas, não é mesmo?

Beijos

Coincidências significativas

"[...] Maybe I should leave To help you see Nothing is better than this And this is everything we need" [Adele, nesta versão aqui ...