22 de novembro de 2018

Vivendo tudo

“Nunca se pode saber o que se deve querer, pois só se tem uma vida e não se pode nem compará-la com as vidas anteriores, nem corrigi-la nas vidas posteriores”.
[De um dos meus livros preferidos. “A insustentável leveza do ser”, de Milan Kundera]

Já me disseram diversas vezes que terapia era a cura para a maioria dos problemas da alma. São vários dias e horas “gastos” em uma sala sentada em uma poltrona, falando, falando, falando, tentando chegar a conclusões junto com uma pessoa que, até então, era uma desconhecida para você, e para quem você poderia abrir todas as suas inseguranças, medos, defeitos, conquistas e fracassos, sem medo do julgamento.

Lá, entendi que não dava para ficar buscando, por enquanto, respostas que não podiam me ser dadas, porque (ainda) não as poderia viver. “Pois, trata-se precisamente de viver tudo. Viva por enquanto as perguntas. Talvez depois, aos poucos, sem que o perceba, num dia longínquo, consiga viver a resposta”.

Quanta coisa a gente complica sem necessidade, não é? Culpa, claro, de Mercúrio retrógrado – o que mais poderia ser? (ironia ativada, já aviso). Mas, depois de muito custo e muito tempo, descobri (e entendi) que, para algumas dores, para alguns medos ou dúvidas, o remédio, mesmo, era viajar.

E sem definir muito os roteiros e me arriscar em algumas aventuras, sem nem tantas pretensões culturais, só queria fugir para longe dos problemas que acreditava ter,  focada na meta de conhecer um pouco do mundo. Foi o que fiz, sem nem sonhar que estaria trocando as sessões com a terapeuta por um remédio muito mais eficaz para os meus tipos de dores: viajar.

Você já parou para pensar? Dói não saber quem a gente é, o que queremos, por que fazemos o que fazemos. Dói transformar características que não gostamos em nós mesmos, ou até enfrentar aquilo que mais tememos: nós mesmos. Foi viajando que percebi que passamos horas, dias, anos à procura de respostas dentro de uma sala, sentada em uma poltrona, quando, na verdade, elas estão muito mais perto do que imaginamos: em uma mala arrumada e uma cadeira à espera do embarque.

Viajar sozinho tem esse poder: de sermos nossa própria companhia, às vezes insatisfeitos com aquilo que somos, e, mesmo assim, tendo que nos encarar, de fora para dentro, porque não há outro jeito. Nenhum curso ou sessão de terapia me ajudou a resolver tão rapidamente e objetivamente problemas como insegurança, indecisão e dependência como conviver apenas comigo na maior parte do tempo. Foi sem peso de julgamento e com chance de autoanálise.

A gente aprende a andar sozinho. A pedir ajuda. A andar sem presa. A arriscar. A se decepcionar. Mas, acima de qualquer coisa, a ser claramente feliz.

As respostas chegaram mais rápido.

[Texto escrito em 07//11/2018]

2 de setembro de 2018

Encrenca, eu sei

“Vou recriar o mundo pra gente caber junto. Desalinhar o tempo e o espaço por nós dois. Eu te encontrei dentro de mim, não posso mais ser só. Não quero desatar o nosso nó(s)”

Eu falo por metáforas, mas você não entende. Eu faço brincadeiras, e você (ainda) acha que eu estou falando sério. Eu falo sério, e você briga.

Eu ainda me expresso melhor quando escrevo. Você ainda exagera nos personagens. Eu (ainda) dou risada sem parar. Eu ainda escrevo sobre isso.

Parece que voltei alguns anos. No mesmo lugar. Sentindo as mesmas coisas. Com as mesmas dúvidas. Não sei se faz parte do processo. Mas, uma coisa eu sei. É encrenca, eu sei.

Da intimidade nem tão íntima assim. Do papo solto. Das muitas novidades. Do “daqui para frente”. Eu não sei, e quase entendo. Dá quase para pegar. Eu me arrependo e volto atrás. Eu nunca questionei nada. Mas, o tempo passou.

Não houve acordo. Eu volto às metáforas, às risadas, a olhar para frente. Voltamos ao silêncio. No fim, fracassamos (de novo) no timing.

5 de julho de 2018

Remetente: eu

Outro dia, eu parei para pensar que há sempre uma expectativa que me impede de cair no sono quase toda noite. Pensamentos ocos, vazios. Ansiedades. Melhor definidas como “o enigma: essa nitidez do invisível”, muito bem descrito por Rui Nunes, em Ofícios de Vésperas.
 
Faz tempo que não escrevo. Isso também me faz perder o sono. Tem muito conteúdo separado em rascunhos, mas que já parecem ultrapassados, porque, antes, eu tinha inspiração. Bem mais por culpa minha, claro.
 
E, acabo contando para a terapeuta que minha fuga está nos livros. Era nesse mundo fantástico, nada meu, tudo do outro, que eu sempre preferi ficar quando o dia a dia não era tão agradável.
 
Mesmo nas histórias ruins, eu fui até o final. Mas, só por causa dessa minha mania de não conseguir abandonar nada no meio do caminho, pela metade. Questão de lealdade, acredito eu.
 
E por falar em literatura, posso escrever muitas frases que já não lhe cabem. E tudo bem. Não escrevo para fazer você se lembrar. Escrevo porque há quem diga que boas histórias fazem bons livros. E, se me permite ser ousada, essa história seria um best-seller. Escreveria crônicas e crônicas de uma história toda contada em preto e branco, há muito tempo. Preencheria cada linha. Mas, acabou a inspiração. Acabou o fôlego.
 
Pois bem. Há quem diga que quem escreve é corajoso. Tudo porque eu (ainda) gosto de sonhar em preto e branco.

21 de fevereiro de 2018

No final, é tudo sobre ansiedade

“[...] Even though I don't tell you all the time, you had my heart a long long time ago. In case you didn't know!” (Música aqui)
[Caso ainda não saiba...]
 
É este estado que me faz sentir sempre como um estudante em um domingo. Já é quase amanhã e eu não quero ir embora. “E se” aparece com frequência no vocabulário. É ter que, a todo momento, escolher ou o suspirável ou o irrespirável. É ter que, a todo momento, escolher.

E o resumo é “a vida é a parte complicada”. É isso, mesmo. Hoje, só seria precisava de um ibuprofeno e um cafuné. O comprimido para diminuir a dor e um cafuné para desacelerar o coração.

Não dá para respirar. Volto para o trabalho. Mais de 10 itens na lista das pendências e o foco está todo em uma playlist aleatória do YouTube, que uso como desculpa para justificar o tempo perdido com a falta de foco pelo coração acelerado. Não dá para respirar.

Eu vou criando um diálogo imaginário. Tentando entender como situações específicas carregam cargas emocionais tão pesadas. Volta aquela sensação de domingo. Fica difícil respirar.

E aí eu percebo que não é a situação, é a falta. Sempre vai faltar. Falta o ar. Falta escrever. Faltou terminar. Faltou falar. Falta a presença. Falta a coragem. Falta o indispensável. Falta não faltar.

E, você sabe, né? Lembrança é uma coisa que derruba. Aumenta a dose do advil. Assim é como eu conto. Ao doido, doideiras digo. A gente empurra as lembranças para trás, mas de repente elas voltam a nos rodear, por todos os lados. Quando a gente menos espera. A gente não sabe dar nome (ou até sabe). Mas não avisa ninguém. Se esconde e acena. De repente aparece. “Como em quieto as coisas chamam a gente” -, já dizia Guimarães Rosa. Mas não fica quieto. Fica grande. Sufoca. Acelera o coração. Não dá para respirar.

No final, é tudo sobre ansiedade. Sobre a falta que (você) faz. Cada dia é uma vida inteira.

8 de novembro de 2017

sau.da.de - s.f.

"[...] Não é por que eu quis e eu não fiz. Não é por que não fui. E eu não vou. 
O problema é que eu te amo. Não tenho dúvidas que eu queria estar mais perto. Juntos viveríamos por mil anos, por que o nosso mundo estaria completo"
[Cássia Eller 💓]

Hoje, eu senti saudades de você. Não com esperança, mas com nostalgia.

Bateu saudades porque, no caminho de volta para casa, entre uma música e outra da playlist aleatória, tocou aquela que você dizia que fazia se lembrar de mim. E, depois daquele dia, o efeito foi inverso. Para mim. Que não posso mais ouvir sem lembrar. E, como eu disse, sem esperança.

Eu não queria muita coisa, não. Era pouco. Eu queria proximidade e concordância. E, bastaria o fato de dizer "vamos nos ver hoje", "estou passando por aí, desce".

Na verdade, eu sempre quis que estivéssemos na mesma página, ao mesmo tempo. E que não tivéssemos hora para voltar.

Mas, andamos sempre descompassados, faltando sincronia. Em capítulos diferentes. Com prazos sempre para vencer. Com pressa e com medo.

Depois, o assunto mudou. As prioridades foram outras. Hoje, você fez falta aqui. E eu senti saudades. Sem esperanças. Com nostalgia.

[Texto escrito em 2015]

10 de agosto de 2017

Ninguém viu

"[...] And you know, everything changes. But we'll be strangers if we see this through"

Sou uma cabeça que não desliga. Que briga constantemente consigo mesma. Sou, às vezes, o que eu não queria ser. E me irrita os conselhos de “vai viver”. Quero entender todas as possibilidades.

O que eu sei é que cada um carrega consigo um tempo. Tempo esse que nunca será parecido ou igual ao do outro. A gente é feito para dizer que sim. E, por muito tempo, eu fui amigável por ter medo de ser sincera.

Eu, sempre me baseando pela literatura, li uma vez, quando Guimarães Rosa escreveu, que felicidade a gente acha em horinhas de descuido. E não importava se ia durar um dia ou a vida inteira. Aquelas horinhas ali... Uma longa história.

Não tinha nada combinado. Nada previsto.
O tempo seguiu com suas coincidências.

Não foi nada arranjado. Muito menos combinado.
O tempo passou exigindo mais de nós.

Não tinha nada garantido. Nem definido.
Nós fomos impacientes.

Nada foi voluntário. Não teve compromisso.
Foi tudo experiência.

Ninguém viu.

15 de abril de 2017

Vida resolvida

"De todo lo que tu acostumbras soy contradición. Creo que eso es lo que a ti te llama!"
[Perota Chingo para arrumar as malas]


Conforto. Até a palavra já é agradável. Ouço essa palavra e já lembro de uma cama grande, um edredon bem fofinho, macio e cheiroso e uma tarde inteira para se jogar no final de semana. Mas aí te falam sobre a tal da “zona de conforto”. E todo aquele meu pensamento vai por água abaixo.

Faz um tempo que eu tenho me forçado a sair dessa minha “zona de conforto”. De primeira? Que medo. Depois? A adrenalina vai abaixando. Já ouvi falar que a crise dos 30 é pior do que a crise dos 40. Ainda não sei, e, por enquanto, vou lidando com as crises dos 27. E uma boa hora para perceber isso (e a grande crise) é arrumando as malas.

E fazendo as malas eu aprendi que se precisa forçar, é porque não é do tamanho certo. E essa afirmação serve, também, para anéis, sapatos, roupas e relacionamentos. Isso serve para tudo, na verdade. Até para o tempo.

Espero lembrar que a vida não é para ser uma corrida contra o tempo. Que a gente tem que ir andando, dando umas tropeçadas e tal, rebolando para deixar tudo nos eixos. Lembrar que nem tudo vai ser sempre agradável, estar sob controle e confortável.

E essa conversa nem é sobre deixar tudo para depois e adiamentos. Nem sobre grandes planos e projetos mirabolantes. Apenas sobre grandes sonhos e lapsos momentâneos (meus) de liberdade. Sobre poder pegar o celular, ligar e dizer que sente saudades. Sobre cortar o cabelo curto. Sobre pegar a bolsa e ir ao cinema sozinha. Sobre sair da “zona de conforto” e se dar mal. Sobre sair da “zona de conforto” e se dar bem. Sobre fazer aquilo que se gosta. Sobre engolir alguns sapos. Sobre tomar “shots” de floral para se acalmar. Sobre o frio na barriga. Sobre ter uma vida resolvida. E sobre não resolver absolutamente nada. Sobre fazer as malas. Sobre ir.

Dando umas reboladas, umas trombadas, mas ir por aí rindo, vivendo. Vivendo. Porque enquanto o futuro está lá, a zona de conforto está por aí e a vida está acontecendo aqui.

30 de junho de 2016

Memória curta

Eu nunca fui de metáforas e analogias. É, é. Não é, não é. Simples. Direto. Não sou de iniciativas. De dar o primeiro beijo. De falar o que penso sem nem filtrar. Eu filtro. E muito. Então, a recíproca tem que ser na mesma proporção. Não me mostra o que você viu. Me mostra o que você sentiu. É tão mais legal. Tão mais cheio de paixão.

Eu acredito na simplicidade do entusiasmo de um olhar que preenche mais que declaração escancarada de amor. Acredito em olhos que sorriem. Nos sorrisos que se declaram. Nos olhos que sabem conversar. No coração batendo acelerado. E não dá para interromper essa dinâmica.

Mas, eu me transformei naquela pessoa adulta que quando me via, dizia – como ela cresceu, como o tempo passa. Eu estou achando tudo grande. Tudo breve. Sinto pelo tempo passar tão rápido. Sinto por eu andar tão rápido por aqui. Quase não ver. E quase não dar tempo de falar o que senti.

Preciso juntar mais gente. Rodeada de barulhos bons. Abrir mais vinhos (abrir o que eu nunca abri). Eu vou atrás de mais. Dias mais longos. Andar por aí sem lembrar que o tempo vai passar – e que um dia vou me olhar e dizer – mas como você cresceu, como o tempo passou.

Vou atrás de mais. E, assim, ficar inteiramente ocupada sendo surpreendida pelo momento. Mas é cada memória curta e ansiedade longa que a gente tem. E não dá para interromper a dinâmica.

13 de abril de 2016

Sobre o óbvio

"Even if your hands are shaking. And your faith is broken. Even as the eyes are closin'. Do it with a heart wide open"

Eu era nova e acreditava na ideia de que a vida estava nas minhas mãos, que eu podia controlar tudo, e tinha certeza de que o rosto da felicidade era liso, luminoso e sedoso. A cara que eu queria ter, livre de cicatrizes ou marcas. Claro que a ilusão não durou muito. Uma hora a vida vem.

Uma boa hora para perceber isso é arrumando as malas. Fui mexer na minha bolsa para pegar meus documentos. Acabei encontrando, no fundo da bolsa, toda amassada e quase apagada, a 2ª via do cartão do nosso último jantar (perdido há quantos meses?). 

Abri a bolsa para procurar o celular, achei um cupom fiscal de umas roupas que comprei faz uns meses em uma promoção e até esqueci que elas estavam no guarda-roupa. Não sei mais se a calça serve, porque eu jurei que ia emagrecer e o projeto não foi para frente. Não vou arriscar experimentar.

Me deu dor de cabeça. Fui mexer na minha bolsa para procurar um comprimido. Hipocondríaca que sou, achei uma cartela de remédio quase vazia. Cetoprofeno. Quando eu tomei isso? Será que foi quando o joelho travou? Sei lá. Se não ajudar a diminuir a dor de cabeça, talvez ajude para outra dor da vida. Ou piore. 

O celular estava tocando. Fui procurá-lo na minha bolsa, achei um cartão de visitas de uma reunião que fui na semana passada, achei um brinquedo de kinder ovo que ganhei do meu sobrinho no nosso passeio de sábado, um bloco de post-it meio amassado e um bloquinho de anotações com a minha letra de jornalista indecifrável em algumas partes. O celular parou de tocar. Não achei o celular. Não o achei porque ele estava no bolso da calça. 

Fui pegar os documentos na minha bolsa, achei uma entrada de cinema. Tentei lembrar o filme. Lembrei e era horrível, melhor nem ter lembrado, apesar da boa companhia. Nada dos documentos. Ficaram as lembranças.

Era para ser apenas a minha bolsa e meus documentos. Mas era uma máquina do tempo. Era para caber só carteira, chaves, escova, e outras coisinhas mais. Não era para caber tanta bagunça, lembranças, histórias. Mas cabe.

Fui mexer na minha bolsa para pegar o ticket do estacionamento. Achei a conta do celular que estava atrasada, compromissos adiados, culpa, graça e muita, muita pressa. Não achei tudo aquilo que precisava. Mas não parei de me perguntar, em nenhum momento, quanto tempo perdemos? Quanto tempo ainda vamos perder?

E a conversa nem é sobre adiamentos, sobre deixar tudo para depois. Nem sobre projetos grandiosos. É apenas sobre ondas momentâneas de liberdade. Sobre menos regras e mais pegar a bolsa e ir ao cinema sozinha. Sobre pedir desculpas pelo jantar que a gente não terminou (daquela 2ª via do cartão que eu achei). Sobre ligar e dizer que sente falta. Sobre fazer as malas. Sobre cortar o cabelo curtinho. Sobre ter ideia que a vida é curta. E que o tempo não volta. Sobre frio na barriga. Sobre apenas ser. Sobre o óbvio.

17 de fevereiro de 2016

Direito ao avesso

"No I don't care if I sing off key. I find myself in my melodies. I sing for love, I sing for me. I'll shout it out like a bird set free!"
[Being free...]

Tão acidental quanto um tropeção na calçada. Esses de até ver estrelas. E foi assim mesmo. De repente, rápido, bem dolorido (é mentira que quando você puxa o band-aid de uma vez dói menos).
Sempre ouvi que esses encontros acontecem assim, sem querer. Mentira. Não é como fosse o tropeção... Quem procura, acha. Mas, para mim, funciona assim: a vontade de achar acaba com a possibilidade de encontrar.

Leva tempo. Precisa, primeiro, doer (muito), para até não segurar as lágrimas. Precisa, depois, cicatrizar. Precisar, então, esquecer. E aí, passou. Tempo, bastante tempo. Quando a gente descobre isso, é libertador.

E com essa minha pseudoliberdade recém-adquirida, os tropeções aumentaram. O orgulho diminuiu. E os encontrões pela vida já podem ser recebidos sem segundas intenções, olhar e dizer “senti saudades”. Mas antes que pegue mal, eu me explico.

Sabe quando as pessoas dizem que querem envelhecer juntas? É isso. Entre um esbarrão e outro. O mais incrível é que ele nunca mudou. E isso é difícil de fazer... Sempre lidou com a vida como se fosse fácil. Sempre. Mesmo quando não era. Mesmo quando o tropeção doía mais que o normal... Mesmo quando o band-aid saía antes da hora.

E no último tropeço, naquele de ver muitas estrelas, e dizer “de novo?”, me mandaram prestar mais atenção. Olhar para os lados. Olhar por onde anda. Olhar e ver. Fracasso, na certa.

Mas, como bem disse Caetano Veloso, tenho direito ao avesso, vou botar todos os meus fracassos nas paradas de sucessos. Ah, se vou. Um por um.

29 de dezembro de 2015

Eu ofereço

"I know I'm not the only one who regrets the things they've done. Sometimes I just feel it's only me who can't stand the reflection that they see. I wish I could live a little more. Look up to the sky, not just the floor. I feel like my life is flashing by...”
[Mas isso foi há anos... :) ]

Não que seja grande coisa, mas talvez sirva.

Não vou oferecer certezas. Tudo é novidade o tempo todo. Tudo muda. Expectativas, pessoas, tempo, cargos mudam.

Mas acho que a gente nem precisa de tantas certezas. Mas uma delas eu ofereço: coração aberto. Ofereço minhas noites de sexta, minhas tardes de sábado e manhãs de domingo. Grandes tesouros para mim.

Nem sempre acompanhado do melhor de mim. Até porquê ainda não consegui me situar com isso. Minha mãe sempre disse que meus olhos são bonitos, mas eles são assim, meio grandes, verdes/castanhos – de cor indefinida –, com cílios loiros que quase não aparecem, e por isso não parecem grande coisa. Ainda não sei se o melhor de mim é a minha habilidade é ser desastrada – ainda mais de manhã bem cedo, que eu saio da cama mas ela não sai de mim –, e a minha incrível maestria em contar piadas ruins (e contá-las muito mal) e rir de todas elas. Não sei.

Mas ofereço, sem dúvidas, o melhor que posso ser. Sempre. Com meu humor difícil. Com meu ombro amigo a qualquer hora. Com o meu carregador do celular, mesmo que a minha bateria ainda esteja em 60%. Com minha risada escandalosa – e a timidez depois dela.

Não ofereço muito. Mas ofereço maturidade nas horas importantes. Boas risadas quando pode – e quando não pode, minha especialidade!

Não ofereço muito, mas ofereço meu tempo. Minha disposição. Minha vontade de ser feliz. Minha vontade de sempre dar o próximo passo.

E quando tudo mudou, quando não pude oferecer certezas, eu mantive o coração aberto. Quando o emprego mudou. Quando o amor mudou. Quando o cenário mudou. Quando pessoas queridas foram embora. Quando pessoas queridas chegaram. Quando duvidaram do meu caráter. Quando eu aprendi a perdoar. Quando eu aprendi a ouvir, e quando eu aprendi a falar. Isso tudo eu ofereço, de coração aberto.

Por isso, as vontades mudaram. Por isso, volto só onde tiver vontade. Choro com quem tiver por perto. Perco o tempo com o que me faz maior. E paro de falar com quem não quer ouvir. Paro de falar. Começo a ouvir. E observo. Os novos dias. As expectativas que mudaram. Os novos velhos sentimentos. Que arrebatam, que arrebentam, se jogam... Festejam. Tudo, de qualquer jeito, da importância que eu der. Mas sempre com o coração aberto.

Coincidências significativas

"[...] Maybe I should leave To help you see Nothing is better than this And this is everything we need" [Adele, nesta versão aqui ...